Uso de vitamina D para Covid-19 não tem comprovação

Por: Catarina Schneider*/Rede CoVida 

É provável que você tenha lido ou ouvido falar que vitamina D previne ou trata a Síndrome Respiratória Aguda Grave pelo Coronavírus 2 (SARS-Co-V2). No entanto, os pesquisadores da Rede CoVida fizeram uma análise sobre o que foi produzido a respeito da eficácia do uso da vitamina para a prevenção ou tratamento da SARS-CoV-2 (o Covid-19) e informa que não há evidência científica confirmada, pois não houve testes clínicos em qualquer centro de pesquisa. Ou seja, não há comprovação de que a vitamina D previna ou trate o adoecimento do Covid-19, conforme Nota Técnica do grupo.

O que os pesquisadores descobriram é que sequer foram realizados estudos em pacientes que apresentassem sintomas de outro coronavírus em epidemias anteriores, tais como SARS-CoV-1 em 2002 e 2003 ou a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), em 2012. Essa associação da vitamina D com a Covid-19 foi divulgada pelo jornal italiano La Repubblica que deu evidência a um relatório realizado por cientistas da Universidade de Turim, os professores de geriatria Giancarlo Isaia e de histologia Enzo Medico.

Nesse relatório houve uma indicação de que uso da vitamina D poderia evitar infecções respiratórias, focando na importância desse uso para profissionais de saúde que estão lidando diretamente com doença e em pessoas já contaminadas pelo coronavírus. Porém, não foi realizado ensaio clínico que demonstrasse a eficácia desse estudo, nem esse relatório foi publicado em revista científica, não tendo sido, portanto, avaliado pelos seus pares. Ous eja diversas etapas para se apontar uma evidência científica não foram cumpridas. 

Na matéria intitulada  “Vitamina D contro il Coronavirus? Solo un’ipotesi” (“Vitamina D contra Coronavírus? Apenas uma hipótese), a publicação pondera que os profissionais não são os únicos  e tal declaração se “baseia em alguns dados da literatura sobre a deficiência geral de vitamina D e seu possível papel nas infecções do trato respiratório”, esclarece o jornal. Apesar de haver várias pesquisas científicas envolvendo o uso da vitamina D, não existe certezas para serem afirmadas sobre os efeitos positivos da suplementação neste caso do Covid-19.

Ao contrário do que tem sido divulgado, o que foi notado pela ciência é que o uso indiscriminado da suplementação da vitamina D tem ocasionado quadros de intoxicação, aumentando o cálcio e fosfato do corpo e acarretado vários sintomas. Esse aumento pode provocar vômitos, perda de apetite, sede, excesso de ingestão hídrica e poliúria (produção aumentada de urina), perda de peso, além de obstipação intestinal. Portanto, a utilização dessa suplementação não é recomendável sem que haja uma indicação médica precisa e sem que ocorram evidências científicas da sua necessidade.

*Catarina Schneider é jornalista pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Doutora em Comunicação e Informação em Saúde pela Fiocruz. Ela colabora voluntariamente para a Rede CoVida. 

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