Boletim CoVida mostra os efeitos do distanciamento social no combate à Covid-19

Por Adalton dos Anjos/Raíza Tourinho*

A segunda edição do “Boletim CoVida – Pandemia de Covid-19” traz cenários nos quais é possível observar os efeitos positivos do distanciamento social e da redução de fluxo intermunicipal no controle da Covid-19 na Bahia. Com base nos dados sobre a evolução da doença no Brasil, os pesquisadores executaram modelos matemáticos e chegaram a resultados que reforçam a importância da manutenção das medidas de isolamento social no Estado da Bahia: houve uma redução da ordem de aproximadamente 27% na taxa de transmissão da doença.

Outro dado trazido no Boletim indica que a suspensão do fluxo em apenas 10% dos municípios baianos foi suficiente para gerar um atraso entre os picos de infecção de Salvador e demais municípios.

Alguns dos autores do estudo estarão disponíveis nesta segunda-feira, às 13h. Eles irão apresentar os resultados e tirarão dúvidas sobre os resultados.

Entenda o Modelo Matemático adotado e suas limitações

Diversos modelos matemáticos estão sendo aplicados para compreender a atual pandemia de Covid-19. O Grupo de Trabalho de Modelagem da Rede CoVida adotou o modelo SIR; uma estratégia analítica produzida a partir de grupos de indivíduos classificados como Suscetíveis, Infectados e Recuperados. Uma das vantagens do modelo é a simplicidade e efetividade na modelagem de epidemias.

Os pesquisadores apontam algumas limitações dos modelos adotados no estudo. Entre elas estão os dados sobre o fluxo de pessoas em transportes urbanos, que foram capturados do IBGE de 2016, e os valores estimados pelos modelos representam o total de infectados desconsiderando os efeitos dos assintomáticos. 

Boletim concentra mais evidências científicas sobre a Covid-19

Duas equipes de trabalho da Rede CoVida também trazem resultados de evidências científicas sobre a Covid-19 no Boletim. A primeira delas, do grupo “Estratégias de controle e os efeitos das iniciativas de contingência”, aponta que a suplementação de vitamina D não é recomendada para a prevenção ou tratamento da doença. Os pesquisadores alertam que o uso indiscriminado pode levar a casos de intoxicação.

O segundo grupo, “Etiologia, Patogênese e Diagnóstico”, produziu uma nota técnica sobre a proteção das equipes de assistência à saúde durante a epidemia da covid-19. Entre as proposições trazidas estão a necessidade de identificação precoce de membros destas equipes que estejam contaminados e a adoção de parâmetros para avaliar a resolução da infecção e redução do potencial de contágio.

Sobre a Rede CoVida

A “Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade” é um projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19. A rede visa ao monitoramento da pandemia no Brasil, com previsões de sua possível evolução. Visa também à produção de sínteses de evidências científicas tanto para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias quanto para informar o público em geral. É uma iniciativa conjunta do Cidacs/Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com apoio de colaboradores de outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais.

Acesse aqui o Boletim CoVida nº 02 

*Adalton dos Anjos é jornalista pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), relações públicas pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA. Ele colabora voluntariamente para a Rede CoVida.
Raíza Tourinho é jornalista pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em Comunicação, Informação e Saúde pela Fiocruz, responsável pela comunicação do Cidacs/Fiocruz e uma das coordenadoras da Rede CoVida

 

 

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