Nota técnica explica como as máscaras de tecido auxiliam no combate à Covid-19

Bruna Quadros*

No combate à disseminação de doenças infecciosas respiratórias, principalmente a Covid-19 (SARS-CoV-2), discussões sobre o uso de máscaras têm se intensificado no intuito de fortalecer as medidas protetivas de distanciamento social e higienização das mãos e superfícies, recomendadas para evitar a transmissão do coronavírus. O contágio facilitado pela fala ou respiração por pessoas sem sintomas, pré-sintomáticas ou com sintomas leves, diante do cenário atual, tem direcionado a ampla utilização de máscaras como apoio na redução da sobrecarga do sistema de saúde brasileiro.

Deste modo, pesquisadores da Rede CoVida elaboraram uma nota técnica para apresentar os conhecimentos científicos que justificam o uso de máscaras de tecido, por toda a população, em ambientes fora do domicílio, e fazer recomendações sobre sua confecção, seu uso e sua limpeza.

O equipamento de proteção serve como barreira mecânica à transmissão do vírus, impedindo ou reduzindo o contato dos indivíduos com gotículas ou aerossóis contaminados. Um estudo recente realizado em Hong Kong apontou que o uso de máscaras fora do domicílio aumentou para 97,5%, sendo considerada uma das estratégias mais eficazes do país no enfrentamento à pandemia. Recentemente a República Checa, Áustria, Eslováquia, África do Sul e Lombardia, região da Itália significativamente afetada pela nova pandemia, sancionaram a obrigatoriedade da máscara em locais públicos e, no mesmo ritmo, os Estados Unidos e Brasil vêm apoiando a utilização do item fora de domicílio.

Mudança de estratégia 

Devido à escassez de máscaras descartáveis no Brasil e considerando a necessidade de priorização dos profissionais de saúde na destinação do equipamento, iniciativas de incentivo à produção caseira de máscaras de tecido estão sendo estabelecidas. De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, para a confecção recomenda-se o aproveitamento de tecidos 100% algodão em razão de este ser ‘respirável’ e ter capacidade de filtrar partículas menores, comparado a outros materiais. Contudo, é desaconselhado para:

  • Pessoas infectadas com o coronavírus;
  • Crianças menores de 2 anos;
  • Indivíduos que apresentem algum tipo de incapacidade na remoção da máscara sem assistência.

Utilizando a máscara adequadamente

Na confecção do equipamento de proteção, é necessário que este possua 26 cm de largura e 16 cm de altura, em dois cortes de tecido sem dobraduras e com costuras. Considerando que as máscaras serão utilizadas em locais públicos com riscos de exposição e contaminação, no ato de remoção, tanto antes quanto depois, as mãos precisam ser higienizadas com água e sabão. Após a aplicação sobre a face, a boca e o nariz devem ser totalmente cobertos, sem espaços nas laterais e, quando posicionada, também é importante evitar o tato, minimizando possíveis contágios. 

A higienização

Após o uso, a máscara deve ser colocada de molho em um recipiente com água e sabão (de preferência neutro) por cerca de 30 minutos, e posteriormente enxaguada com água corrente. Quando seca, é recomendado passar ferro apenas na parte do tecido, bem como o seu armazenamento em saco plástico com lacre até a próxima utilização. No processo de desinfecção, o hipoclorito (água sanitária) também pode ser considerado, mas, segundo a . Uma solução com concentração de cloro de 2,0 a 2,5% (vide embalagem) em 10 ml, diluída em 500 ml de água limpa e filtrada por 30 minutos é eficaz, com posterior enxágue em água corrente. Contudo, apenas o processo anterior é suficiente.

Confira aqui a nota técnica completa

 

Bruna Quadros* atua voluntariamente na comunicação da Rede CoVida. 

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