Documento reúne informações sobre sintomas e tratamento da Covid-19

Catarina Schneider*

Sabia que 99% a 88% dos pacientes com Covid-19 têm febre, mas menos de 5% têm congestão nasal? Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia de Covid-19, a transmissão, os sintomas, mecanismos de controle e o tratamento têm sido pesquisados em todo o mundo. Centenas de artigos são produzidos e, a cada semana, pesquisas científicas são revisadas e compiladas pelos pesquisadores da Rede CoVida, que produz relatórios com essas evidências. A falta de comprovação da eficácia do uso da hidrox e cloroquina é um dos assuntos desta semana. 

Um dos pesquisadores da Rede CoVida, o médico Luís Fernando de Araújo, aponta como novidade nesse relatório a ausencia de estudos comprobatórios da eficiência da cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento de Covid-19. “Estas medicações eram apostas no tratamento de casos graves, contudo, evidências recentes têm mostrado uma ausência de vantagem e, em alguns casos, uma piora clínica em relação ao tratamento habitual.”

No campo da transmissão, contínua válido de que a principal forma de transmissão tem sido de pessoa por pessoa, por meio das gotículas da saliva que levam vírus. Por isso, para evitar a difusão do vírus, é preciso tomar cuidado com o contato com secreções e excreções respiratórias veiculadas por espirro, tosse, contato pessoal direto ou próximo a pessoas infectadas e com objetos contaminados quando levados à boca, nariz e olhos. Entre o momento que a pessoa tem contato com o vírus e manifesta a doença pode variar entre 4 a 14 dias. Esse período é chamado de “período de incubação” e a maioria dos casos tem apresentado sintomas nos primeiros quatro a cinco dias após a exposição. 

Ainda não há pesquisa suficiente, em um navio com 619 pessoas positivadas para Covid-19, um estudo mostrou que 50% dos infectados, após passar da incubação para um período com o vírus, seguiu com vírus latente no corpo, porém sem sintomas, são os assintomáticos. E eles são um grupo de transmissão importante pois muitos seguem circulando e ampliando a magnitude da pandemia.

Quando infectado, o indivíduo pode ter sintomas que variam de leves, com febre e tosse, podendo a mais moderados terem também falta de ar e os quadros graves, que evoluem da pneumonia a falência múltipla. Contudo, o documento destaca que a maioria das pessoas após serem infectadas manifestam sintomas leves. Porém ao evoluir, o paciente pode ter um quadro de pneumonia com comprometimento pulmonar, insuficiência respiratória e falência múltiplas de órgãos. Os casos fatais têm ocorrido, principalmente, entre idosos e ou pessoas portadoras de comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, doença pulmonar crônica, hipertensão e câncer. A complicação mais grave da doença tem sido a síndrome do desconforto respiratório agudo (SRAG), que é quando os pulmões acumulam líquido. 

De acordo com o levantamento,  a investigação incluiu 138 pacientes e mostrou que a SRAG ocorreu em 20% dos casos, dos quais 12,3% exigiram ventilação mecânica. Outra investigação, envolvendo 201 pacientes, mostrou que 41% desenvolveram SRAG, maioria idosos e pessoas com diabetes. Contudo, esses fatores de vulnerabilidade varia em cada país. Até o momento, a infecção sintomática em crianças se mostra incomum. Entre as que apresentaram manifestações clínicas, geralmente, os sintomas têm sido leves. Porém, dados sobre crianças e adolescentes ainda são escassos.

Manifestações clínicas da doença

O tempo necessário para realizar o teste de detecção da doença dura em média entre quatro a seis horas. Porém, em alguns casos, pode ultrapassar mais de 24 horas, desde a coleta da amostra até a emissão do resultado. O Brasil adquiriu o teste rápido que é uma ferramenta importante para traçar estratégias de saúde pública, pois consegue detectar mais precocemente a doença e contribui para a redução da disseminação do vírus para orientar a indicação de isolamento dos indivíduos infectados, sintomáticos ou assintomáticos.

 Caso o teste dê positivo, os pacientes que apresentarem sintomas leves é recomendado que permaneçam em casa e sejam tratados em domicílio, pois o objetivo principal, neste caso, é evitar que ocorra a transmissão para outros indivíduos. Nesses casos, o isolamento domiciliar,  o uso de máscara facial e a desinfecção de todas as superfícies de contato são os protocolos recomendados.

Diante do teste positivado, porém sem sintomas, os indivíduos também devem permanecer em isolamento domiciliar por 14 dias. Ademais, por medida de precaução, qualquer pessoa que teve contato com paciente confirmado para Covid-19, mesmo que não seja testada, deve permanecer isolada durante 14 dias, período máximo de incubação da doença. Essas são medidas baseadas na hipótese de que a transmissão é mais intensa no início dos sintomas, ou pouco antes do aparecimento dos sintomas, o que ainda não foi cientificamente comprovado. Esta hipótese se baseia na experiência com epidemias passadas produzidas por outros vírus respiratórios.

O relatório completo pode ser acessado neste link

* Catarina Schneider é jornalista pela Universidade Federal de Sergipe e doutora em Comunicação e Informação em Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela é colaboradora voluntária da Rede CoVida.

Este texto teve a colaboração de Karina Costa, jornalista (Ufba) e mestre em Comunicação e Informação em Saúde pela Fiocruz, e Adalton dos Anjos, jornalista (Ufba), mestre e doutor em Comunicação pela Faculdade de Comunicação da Ufba (Ufba). Ele colabora voluntariamente para a Rede CoVida.

Deixe uma resposta