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Abordagens terapêuticas e eficácia nos testes contra a COVID-19

Jackelyne dos Santos Silva*

Com o aumento recorrente do número de contagio e de óbitos ao redor do mundo causado pela epidemia do Coronavírus, diversos especialistas, cientistas e demais profissionais da saúde estão à procura de abordagens terapêuticas baseadas na patogênese da COVID-19. Veja alguns tratamentos que estão sendo realizados.

Heparina

A heparina, um anticoagulante usado para evitar a formação de coágulos de sangue (trombos), está sendo utilizada para reverter o processo de coagulação que frequentemente os pacientes com a COVID-19 apresentam. Pois tal solidificação do sangue pode gerar tromboembolismo pulmonar, quadro que acarretou a morte de muitos dos infectados.

Para a esperança de muitos, existem evidências utilizando anticoagulantes, que resultaram em um prognóstico melhor para indivíduos acometidos pelo vírus. Logo, tendo sido evidenciada redução de mortalidade nos mesmos.

Plasma convalescente

O plasma convalescente, que já foi historicamente bem sucedido como medida profilática do sarampo e da poliomielite, é entendido como o plasma sanguíneo que foi retirado dos indivíduos curados após contagio pelo Coronavírus. Como estes pacientes que foram curados apresentam altos níveis de anticorpos no sangue, esses podem ser transferidos para prevenir infecções ou atenuar a gravidade da doença em outros enfermos. Contudo, esse tratamento só é utilizado como último recurso cuja condição do infectado continua a se deteriorar, pois essa estratégia serve para conferir uma imunidade imediata de curta duração a indivíduos suscetíveis.

Tal tratamento com plasma convalescente já foi usado em um estudo na China em que 10 pacientes críticos com COVID-19 mostraram apresentar redução da carga viral sistêmica, melhora nas lesões pulmonares e de sintomas (febre, tosse, encurtamento da respiração e dor no peito). Este achado sugere que a administração de plasma de convalescente é seguro, reduz a carga viral e pode melhorar o desfecho clínico.

No Brasil, a ANVISA reforça a necessidade de ensaios clínicos com registro do produto biológico (plasma), pois esta não é uma infecção considerada relevante para transmissão via transfusão. Porém os doadores de sangue devem ainda assim cumprir as exigências dos órgãos competentes, que julgam pacientes recuperados serem considerados aptos apenas após 14 dias da resolução dos sintomas e testarem negativo para SARS-CoV-2, além de ser coletado o plasma em hemocentros.

Anticorpos monoclonais neutralizantes

O uso de anticorpos neutralizantes monoclonais (nmAbs), para tratamento e/ou prevenção de doenças infecciosas. Uma prova disso é seu desenvolvimento nos últimos anos como alternativas para tratamento de doenças virais, incluindo anticorpos promissores na neutralização de outros Coronavírus, usando assim seus pacientes recuperados para tratar a COVID-19.

No Brasil, pesquisadores do Instituto Butantan trabalham na identificação e clonagem de anticorpos para esse vírus, ressaltando que, serão necessários vários meses para que os nmAbs sejam disponibilizados para uso seguro em humanos. No entanto, uma publicação no periódico Nature Biotechnology explorou os avanços recentes da indústria farmacêutica que poderiam reduzir pela metade o tempo entre a descoberta e uso terapêutico de anticorpos monoclonais (de 10-12 para 5-6 meses).

Anti-IL6

A IL-6 é uma citocina produzida rápida e transitoriamente em resposta a infecções e lesões teciduais e que contribui para a defesa do hospedeiro através da estimulação de respostas e reações imunológicas.

Um estudo, retrospectivo e sem grupo controle, com 20 pacientes em condição grave ou crítica, utilizou Tocilizumab (anticorpo humanizado anti-receptor da IL-6) e que os parâmetros clínicos-laboratoriais tiveram melhoria no quadro dos infectados dentro de 5 dias após a administração do medicamento.

 

*Jackelyne dos Santos Silva estudante de Rádio, tv e internet na Faculdade Paulista de Comunicação – Fpac.

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