Webinário discute como pandemia em tempos de Reforma Trabalhista aumenta risco

Raquel Saraiva*

Possibilidade de demissão, teletrabalho não regulamentado, incerteza no recebimento do auxílio emergencial e o corte no salário. Além do medo do novo coronavírus, o cenário socioeconômico do Brasil pode piorar ainda mais a saúde dos trabalhadores durante o isolamento social. É o que aponta um grupo de pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (Ufba), integrantes da Rede CoVida, com o estudo “Saúde do trabalhador: riscos e vulnerabilidades”. Os resultados serão apresentados no Boletim CoVida #6, que será lançado no webinário da Rede no dia 5 de junho, esta sexta-feira,  às 14 horas.

Para falar do assunto,  estarão presentes a professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Fameb/Ufba), Kionna Bernardes e o pesquisador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Elzo Júnior. Entre os debatedores estão Milena de Almeida, Samilly Miranda, Yukari Mise, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba) e Mônica Angelim Gomese Rita de Cássia Pereira Fernandes, também da Fameb/Ufba. 

As pesquisadoras vão falar sobre o documento que elaboraram, em que apontam a categoria com maior risco de desenvolver a Covid-19 é a de profissionais da saúde que trabalham diretamente com os pacientes, além de profissionais de lavanderia e higienização hospitalar, cuidadores, maqueiros e outros da equipe de apoio, como motoristas de ambulância, recepcionistas de hospitais, funcionários de laboratórios, e trabalhadores de necrotérios, funerárias e cemitérios. Entretanto, o estudo mostra que o risco de morrer pode ser superior em outras ocupações, comparando com o trabalho na saúde. Ou seja, outros determinantes estão relacionados à mortalidade, e não apenas a maior exposição ao vírus.  

A esse contexto se somam a desigualdade social marcada, a pobreza existente no Brasil, a reforma trabalhista de 2017 e a Medida Provisória 936, que autoriza suspensão do contrato de trabalho e redução de salário e jornada. Maioria no setor informal e em setores considerados não-essenciais, homens e mulheres negros também estão entre os trabalhadores mais vulneráveis.

“A resposta efetiva à pandemia implica no reconhecimento das diferenças na vulnerabilidade de gênero relacionadas à exposição ao vírus, acesso à proteção e tratamento, adoecimento e morte, bem como políticas de proteção social e segurança”, destacam as autoras no estudo. O Boletim CoVida traz ainda recomendações para os gestores sobre como agir no enfrentamento à pandemia e contenção dos sintomas nos trabalhadores. Veja o documento completo.


*Raquel Saraiva – graduanda em Comunicação Social (UFBA), bióloga e mestra em Fisiologia (UFBA), editora do site de divulgação científica Bate-papo Com Netuno. Colabora voluntariamente para a Rede CoVida.

Este texto tem a supervisão de Karina Costa, Mestre em Comunicação e Informação em Saúde pela Fiocruz, analista de comunicação do Cidacs.

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