Rastreamento de contatos para reduzir óbitos: especialistas discutem perspectivas sobre a Covid

*por Raquel Saraiva

Rastrear contatos para reduzir óbitos. Essa foi a ideia consoante discutida na Live Apub, realizada na última quarta (dia 15). Com o tema “Estudos sobre a Covid-19: como estamos e quais as perspectivas“, a live contou com os debatedores Maria da Glória Teixeira (ISC/Ufba e Rede CoVida), epidemiologista e doutora em Saúde Pública, e Manoel Barral-Netto (Famed/Ufba e Rede CoVida), doutor em Patologia Humana e pesquisador titular da Fiocruz-Bahia. “A perspectiva da gente sair dessa dificuldade de ter óbitos todos os dias depende de rastreamento e quarentena de contatos, e isolamento de casos”, defendeu Maria da Glória.

Se os contatos forem reduzidos em 40 ou 50%, o número de contágios será significativamente menor, explicou Barral. “Isso nos dá o conforto de começar a trabalhar em outras frentes, inclusive aumentando a nossa capacidade de realização de testes e melhora da identificação dos contatos posteriormente”.

O rastreamento de contatos é a busca feita por trabalhadores da saúde para encontrar “as pessoas que podem ter entrado em contato com alguém que estava doente e que, consequentemente, também podem adoecer”, de acordo com o Glossário da Rede CoVida. Barral destacou também que os testes, tanto o de resposta imune quanto o de detecção do vírus não atestam imunidade e têm pouca efetividade pessoal.

“Fazemos testes porque é importante para a saúde pública. Para o indivíduo não muda nada, não temos nenhum remédio específico para matar o vírus, você vai tratá-lo como qualquer pessoa que tenha aquele quadro. O valor dos testes vai ser a interpretação de como a epidemia está se espalhando naquela coletividade”. Com o alto número de infectados no país, Barral defendeu que o rastreamento deve ser feito não só baseado em testes, mas principalmente por identificação dos sintomáticos.

O afrouxamento das medidas de proteção sem diminuição efetiva do número de óbitos, como vem ocorrendo em várias cidades brasileiras, foi criticado pela epidemiologista Maria da Glória. “O número de leitos é importantíssimo, mas isso não dá liberdade para fazer flexibilização”. Uma queda consistente depende de uma redução do número de casos e número de óbitos por 14 dias seguidos, segundo a especialista.

O ciclo de lives da Apub “Faces da pandemia no Brasil” é transmitido no canal da Apub no YouTube e reúne pesquisadoras (es) de diversas áreas para conversar acerca dos avanços científicos sobre a doença, a gestão política da crise sanitária, a politização da ciência e aspectos do comportamento social da população brasileira durante a pandemia. Assista essa edição da live na íntegra:

*Raquel Saraiva – graduanda em Comunicação Social (UFBA), bióloga e mestra em Fisiologia (UFBA), editora do site de divulgação científica Bate-papo Com Netuno. Colabora voluntariamente para a Rede CoVida.

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