Estudo discute a interpretação dos tipos de testagem para a Covid-19

*Luana Alencar

Por se tratar de um vírus novo e consequentemente pouco conhecido, as pesquisas envolvendo as características, sintomas e tipos de testagem para a detecção da Covid-19 vêm sendo reatualizadas periodicamente. Uma nota técnica acerca da interpretação dos testes diagnósticos do vírus foi produzida por pesquisadores do núcleo de Etiologia, Patogênese e Diagnóstico da rede CoVida

O objetivo da pesquisa é fornecer informações relacionadas aos tipos de testagem de acordo com a demanda de cada indivíduo, bem como o período de transmissibilidade do vírus e a resposta imune do organismo ao novo coronavírus.

Basicamente há dois tipos de testes: o que aponta se o indivíduo está infectado pela doença e o que mostra os anticorpos desenvolvidos pelo organismo da pessoa, o que permite saber se ela já contraiu ou não o vírus. Os primeiros são conhecidos como RT-PCR, já os outros são os testes sorológicos como o ELISA, testes rápidos, dentre outros. Os testes podem ser usados conjuntamente e é o tipo de testagem que poderá definir as ações de tratamento para aquele paciente e para as pessoas com quem esse indivíduo teve contato.

Confira o vídeo feito pela rede CoVida sobre os tipos de testes para o diagnóstico do novo coronavírus:

Fonte: Rede CoVida

A tabela abaixo resume os objetivos de cada um desses testes:

 

Tipo de teste

Objetivo

O que detecta

Quando fazer

Interpretação

RT-PCR para detecção de RNA viral

• Identificação de casos na sua fase inicial;

• Investigar os casos que permanecem capazes de transmitir o SARS-CoV-2 por tempo prolongado

• Indica a presença de RNA do vírus no local da coleta do material

• Nos primeiros 7 dias após os primeiros sintomas;

• Na identificação de indivíduos infectados (mesmo que sem sintomas) entre os contatos de casos confirmados.

• O individuo está com infecção pelo SARS-CoV-2, sintomática ou assintomática.
Testes sorológicos (rápidos ou ELISA) • Identificar os indivíduos já expostos ao vírus (com ou sem desenvolvimento de COVID-19) •  A presença de anticorpos séricos contra antígenos do vírus. Ele indica que a pessoa testada foi infectada (tendo ou não desenvolvido COVID-19). • Após duas semanas do inicio dos sintomas ou da data de realização de um RT-PCR com resultado positivo;

• Para avaliação da infecção pregressa pelo SARS-CoV-2 mesmo em indivíduos assintomáticos, seja como contato de casos confirmados seja em inquéritos sorológicos na comunidade.

• O individuo teve infecção pelo SARS-CoV-2, sintomática ou assintomática.

• Verificar o valor preditivo positivo do teste.

Fonte: Nota Técnica

 

Em caso de testagem positiva para vírus, o RT-PCR é o teste que possui o maior grau de confiabilidade dentre os testes, pois é na faringe que há uma presença maior de carga viral, caso o indivíduo esteja mesmo com coronavírus. A carga viral é maior antes do indivíduo manifestar os sintomas e no início da doença. Vale ressaltar, também, que no período pré-sintomático da doença, a taxa de transmissibilidade da Covid-19 é de 44%, o que nos mostra a importância do uso da máscara e das medidas de higiene.

Essa correlação entre o tempo em que a pessoa manifesta os sintomas e o período em que ela é testada é crucial para a precisão do diagnóstico pelos testes. Quando o exame aponta uma carga viral baixa, é necessário que o material original seja reavaliado para que seja dado o diagnóstico correto de coronavírus, isso se o indivíduo estiver com sintomas ou tiver tido contato com pessoas infectadas.

 

Fonte: arquivo Pixabay

Embora a carga viral possa não ser, em alguns casos, suficiente para o resultado positivo para a Covid-19, a avaliação dos sintomas é extremamente importante para que a pessoa seja encaminhada para o isolamento social, a fim de proteger as pessoas ao seu entorno. Após a manifestação dos sintomas e da testagem, é preciso estar atento às pessoas que estiveram em contato com o infectado entre o período de 2 a 8 dias antes da manifestação sintomática.

Quem é considerada uma pessoa de risco?

A pessoa que:

  • que tenha tido contato direto com um caso de COVID-19 a menos de dois metros durante mais de 15 minutos;
  • que tenha tido contato físico com um caso de COVID-19;
  • que tenha tido contacto direto, sem proteção, com secreções infecciosas de um caso de COVID-19 (p. ex. se lhe tiverem tossido para cima);
  • que tenha estado num ambiente fechado (p. ex. em casa, numa sala de aula, sala de reunião, sala de espera do hospital, etc.) com um caso de COVID-19 durante mais de 15 minutos;
  • que tenha estado num avião, sentada a uma distância inferior a dois lugares (em qualquer direção) do caso de COVID-19, acompanhantes ou cuidadores, e membros da tripulação em serviço na secção do avião onde estava sentado o caso índice (se a gravidade dos sintomas ou os movimentos do caso identificado indicarem uma exposição mais extensa, podem ser considerados contatos próximos todos os passageiros sentados nessa secção do avião ou todos os passageiros do avião);
  • Um profissional de saúde ou outra pessoa que preste cuidados de saúde a um caso de COVID-19, ou técnicos de laboratório que manipulem amostras de um caso de COVID-19, sem o EPI recomendado ou perante uma eventual falha do EPI

Fonte: Nota Técnica

Estou com suspeita de Covid-19, e agora?

Há algumas possibilidades com que precisamos trabalhar. E se estivermos falando de um indivíduo com sintomatologia compatível com a COVID-19 e com exame de RT-PCR não detectável? É orientado que essa pessoa tenha o acompanhamento medico adequado e fique em isolamento social para que outras pessoas não se contaminem.

Podemos ter, também, os indivíduos não sintomáticos e com teste RT-PCR detectável. Como agir? Como o exame PCR pode ter falsos positivos – 3 em cada 10 testes podem falhar – a pessoa é considerada suspeita da doença, e os procedimentos devem ser iguais a de uma pessoa testada positiva: isolamento social e acompanhamento medico. Essa pessoa deve ser monitorada e ser encaminhada para um novo teste PCR.

Fonte: arquivo Pixabay

Já os indivíduos não sintomáticos e com teste RT-PCR detectável devem ser afastados de seu trabalho e convívio social por 14 dias, a contar da data do dia em que o exame foi feito. Sendo devidamente acompanhado pelo medico e não apresentando sintomas, o sujeito pode retornar as suas atividades laborais.

Mas e o indivíduo não sintomático e com RT-PCR não detectável? Geralmente são pessoas que fizeram o teste porque estiveram em contato com pessoas que testaram positivo para Covid. Nesse caso, não há medidas específicas a serem seguidas.

Os pesquisadores também chamam a atenção para a sensibilidade e especificidade dos testes, pois essas duas variáveis estando mais próximas do ideal, mais chances há de um dignóstico preciso.

Por fim, lembramos que os testes sorológicos não têm a capacidade de apontar se o indivíduo está com coronavirus, mas sim se este já teve a doença. Sendo assim, os testes sorológicos possuem pouco valor diagnóstico para a Covid-19

 

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